Lições aprendidas - II
Ah, a experiência!
Como é bom olhar pra trás e ver que evoluímos, aprendemos, crescemos.
Que orgulho ver que melhoramos e não somos mais bobos e ignorantes!
Do alto dos meus 48 anos de peregrinação nesta terra, aprendi várias coisas.
Tudo bem que muito do que eu aprendi é apenas senso comum, e para muitas pessoas, nada de extraordinário. Mas o que importa é que eu aprendi.
Uma dessas lições foi a de não esperar nada de ninguém. Nem mesmo das pessoas mais próximas.
Não é uma questão de birra, picuinha ou mesquinharia. É uma filosofia.
Funciona assim: eu tenho plena convicção de que ninguém me deve nada. Assim, não espero que ninguém se compadeça, tenha empatia ou faça alguma gentileza.
Aprendi isso com uma pessoa muito próxima: eu era jovem, ingênua e cabeça oca. Achava que todo mundo era legal e que o mundo era lindo e mágico. Praticamente uma princesa Disney.
Então um dia eu precisei dessa pessoa, e esperei que ela tivesse o bom senso de me ajudar sem que eu precisasse pedir. Afinal, era óbvio que eu precisava de ajuda.
A pessoa viu minha dificuldade, tinha os meios para me ajudar, mas ficou olhando pra mim sem fazer nada, e meu sofrimento não a comoveu nenhum pouco.
Além de pasma, fiquei apavorada. "E agora", pensei. "Quem poderá me salvar?"
Aí descobri que, com esforço, eu conseguia sair da situação sem a ajuda dela. Foi difícil, mas deu certo.
Fui cobrar a pessoa, que me deu respostas evasivas. Mas percebi que ela estava com preguiça de fazer o esforço necessário para me ajudar. Seria um incômodo.
Entendi que eu era um incômodo.
A partir desse dia, não espero nada de ninguém. Nem olho em volta na esperança de encontrar alguém pra me ajudar. Eu mesma já penso nas alternativas e tento me virar sozinha.
Quando alguém faz uma gentileza ou se propõe voluntariamente a me ajudar, sempre me causa espanto.
Comentários
Postar um comentário