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Mostrando postagens de janeiro, 2026

Lições aprendidas - II

 Ah, a experiência! Como é bom olhar pra trás e ver que evoluímos, aprendemos, crescemos. Que orgulho ver que melhoramos e não somos mais bobos e ignorantes! Do alto dos meus 48 anos de peregrinação nesta terra, aprendi várias coisas.  Tudo bem que muito do que eu aprendi é apenas senso comum, e para muitas pessoas, nada de extraordinário. Mas o que importa é que eu aprendi. Uma dessas lições foi a de não esperar nada de ninguém. Nem mesmo das pessoas mais próximas.  Não é uma questão de birra, picuinha ou mesquinharia. É uma filosofia. Funciona assim: eu tenho plena convicção de que ninguém me deve nada. Assim, não espero que ninguém se compadeça, tenha empatia ou faça alguma gentileza. Aprendi isso com uma pessoa muito próxima: eu era jovem, ingênua e cabeça oca. Achava que todo mundo era legal e que o mundo era lindo e mágico. Praticamente uma princesa Disney. Então um dia eu precisei dessa pessoa, e esperei que ela tivesse o bom senso de me ajudar sem que eu precisass...

Lições aprendidas - I

 Estou ficando velha. É chato, porém inevitável. Junto com os sinais do tempo na circunferência do corpo e na textura da pele, se tudo der certo, vem também alguma experiência de vida. Algumas lições aprendidas. As maiores lições, aquelas que vão me acompanhar pelo resto dos meus dias, aprendi levando invertidas. Como isso dói! Mas como ensina! Lembro de ser jovem, com meus 19 ou 20 anos. Até então, quando eu chorava, meu choro era igual o de criança: barulhento, cheio de soluços. Culpa dos meus pais que me mimaram, ou culpa minha, por me achar especial. Enfim, era assim. Mas então, uma noite, quando eu estava chorando dessa maneira, fui ignorada solenemente, e nada foi feito para me acalmar ou consolar. Quando dei por mim, estava sozinha, com o rosto lavado de lágrimas e o coração ferido. Foi aí que entendi: ninguém liga. Mas como fazer, se eu precisava chorar? Aprendi aos poucos a respirar de maneira que não me causasse soluços. Também entendi que não era necessário emitir som qu...

Barulho

 É barulhento dentro da minha cabeça. Estou constantemente pensando em alguma coisa, falando, comentando, imaginando, lembrando.  Meus lábios permanecem fechados, mas os pensamentos nunca param.  Não que eu não queira falar. Eu adoraria ter alguém com quem conversar.  Mas o problema é que o meu conceito de conversa é diferente do das outras pessoas.  Algumas pessoas apenas emprestam suas orelhas, e te deixam falar à vontade. Mas respondem com muxoxos ou monossílabos. Conclusão: não estão nem aí para o que foi dito. Outras pessoas engajam na conversa. Mas não para responder o que foi dito e acrescentar algo, e sim para contar algo de si mesmas. Se eu digo "ontem fui à academia e quando cheguei vi uma cena absurda", elas dirão "eu também vou à academia, aqui pertinho de casa!".  Minha ideia de conversa é uma troca de ideias. É pegar um tópico e dissecá-lo. É fazer e responder perguntas. É ensinar e aprender.  É claro que existem as conversas sobre amenid...

Primeiros capítulos

Sempre quis ser escritora.  Nem é por glamour, grana ou fama.  Eu só queria ter o dom de escrever, de maravilhar as pessoas com minha imaginação e eloquência.   Daí que eu sempre estou escrevendo alguma coisa, mas nada nunca vai pra frente. Eu sou ótima nas iniciativas mas péssima nas acabativas .  Consigo escrever ótimos primeiros capítulos, sempre com a cabeça fervilhando de ideias e empolgação. Mas então, o tempo acaba e preciso ir dormir. No dia seguinte, algo acontece, e não consigo retomar. Passam-se dias, até que finalmente posso continuar de onde parei. Para pegar de novo o fio da meada, releio o que escrevi. E não tenho a menor ideia de como continuar aquela ideia. * * * Uma vez comentei com um colega sobre essa minha "peculiaridade" (leia-se incompetência ) e ele me disse: "por que você não faz um livro só de primeiros capítulos?" Não levei a sério...  Até agora.