Lições aprendidas - I

 Estou ficando velha.

É chato, porém inevitável.

Junto com os sinais do tempo na circunferência do corpo e na textura da pele, se tudo der certo, vem também alguma experiência de vida. Algumas lições aprendidas.

As maiores lições, aquelas que vão me acompanhar pelo resto dos meus dias, aprendi levando invertidas.

Como isso dói! Mas como ensina!

Lembro de ser jovem, com meus 19 ou 20 anos. Até então, quando eu chorava, meu choro era igual o de criança: barulhento, cheio de soluços. Culpa dos meus pais que me mimaram, ou culpa minha, por me achar especial. Enfim, era assim. Mas então, uma noite, quando eu estava chorando dessa maneira, fui ignorada solenemente, e nada foi feito para me acalmar ou consolar. Quando dei por mim, estava sozinha, com o rosto lavado de lágrimas e o coração ferido.

Foi aí que entendi: ninguém liga.

Mas como fazer, se eu precisava chorar?

Aprendi aos poucos a respirar de maneira que não me causasse soluços. Também entendi que não era necessário emitir som quando as lágrimas caíam, era só deixar que elas rolassem livremente. E quando eu não queria ser vista chorando, aprendi que olhar para cima faz com que elas parem de sair.

Depois, desenvolvi uma técnica um pouco mais avançada: a de guardar o choro pra depois. Se algo me desse vontade de chorar no meio do dia, aprendi a trancar essa vontade dentro do peito, para soltar depois, em momento mais oportuno. E vi que chorar embaixo do chuveiro é bem eficiente, pois aí você já aproveita pra assoar o nariz e lavar o rosto. É bem prático.

Provavelmente, você já saiba de tudo isso desde que se conhece por gente. Mas o que posso dizer? Eu sou meio lerda mesmo, aprendi muito tarde o que todo mundo já sabe desde cedo.

O importante é que aprendi, e levo essa importante lição comigo até hoje.

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